"Viver a liberdade, amar de verdade..."
Só se for a dois
Essa frase do Cazuza pode soar estranho para a nossa cultura, que prega muitas vezes que relacionamentos e casamentos são sinônimos de prisão, de privação, de confinamento.
Tem sempre aquela piada que a pessoa vai perder a vida se ela se casar. Eu particularmente não gosto muito desse pensamento. Pode ser que ele fazia sentido antigamente onde éramos obrigados a casar por meios arranjados e contratos, onde as mulheres eram propriedades dos homens. Mas será que faz sentido ainda hoje?
Te pergunto porque muitas vezes repetimos discursos sem pensar no que ele significa ou o que ele pode normalizar.
Há pessoas que ao encontrar alguém se modificam para "caber" dentro desse relacionamento, ela deixa primeiro os amigos, deixa de fazer as coisas que gosta, deixa de sonhar os sonhos dela e quando ela/e se percebe (geralmente quando o relacionamento termina), ela/e não sabe mais quem é.
Consegue perceber a violência contra si mesmo que isto é?
Claro, ninguém faz isso de forma clara e consciente, a pessoa está apaixonada, dominada pela química, que segundo a ciência, tem o prazo de 1 ano e meio a 2 anos, onde você dificilmente vai enxergar o que está fazendo ou ouvir alguém que te diga que você está se perdendo de si mesmo.
Após esse prazo, você começa a perceber que talvez não seja mais a pessoa que gostava de ser, mas tem muitos outros pensamentos que podem te limitar, "mas já estamos juntos a tanto tempo", "mas ele vai mudar e eu vou pode ser quem eu era", "mas é só uma fase".
O que eu quero dizer, é que o amor te liberta a ser quem você é, fazer as coisas que você gosta, vai com você em suas aventuras, ele soma. Nem sempre você e o outro vão gostar de fazer as mesmas coisas, muitas vezes o outro vai gostar de atividades que não tem a mesma graça pra você, e é nessa hora que você vai fazer as suas.
Tenho amigas que os maridos gostam de jogar bola, na hora do jogo deles, elas aproveitam para fazer as coisas que são divertidas só para elas, como andar no shopping vendo vitrines por exemplo.
Eu gosto de um estilo de filme que sei que o Jean assiste, mas não é o preferido dele, então, aproveitamos um momento do 'si mesmo' rs para cada um fazer uma coisa que gosta e o outro não gosta tanto. Vou assistir meus filmes e ele jogar um jogo que não é nosso ou ler alguma coisa.
Algumas vezes por ano eu tenho encontros com as minhas amigas em uma tarde só nossa, e ele tem encontro com os amigos do RPG, em uma tarde só deles.
E ai você vai me dizer que nós não contamos rs tenho alguns casais de amigos que fazem isso, coisa mais linda é ver meu amigo indo levar a esposa dele para o encontro com as amigas na sexta a noite.
A liberdade de ter um bom relacionamento e ter sua vida que não é individualizada, mas é própria, onde cabe o outro e cabe a si mesma, sabe?
E é por isso que acho que essa ideia de casamento/relacionamento são prisões deve acabar, os relacionamentos deveriam nos levar mais longe ainda, de mãos dadas com a pessoa que escolhemos pra viver as aventuras da vida com a gente. É ter apoio em nossos planos, é ter alguém torcendo por você na arquibancada dessa vida. É partilhar.
Bora viver a liberdade à dois?!
“A única coisa que existe em comum entre todos os seus relacionamentos é você”
(Mark Manson)



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