Diminuindo a dor do outro!
Você já passou por isso?

Imagine que você tem uma caneca preferida, aquela que você ama tomar seu cafezinho, chá ou chocolate quente. Ela não é só uma caneca, mas, te lembra uma época boa da vida, te transporta para um passado gostoso e aconchegante.
Todas as vezes que você quer se sentir confortável, faz logo sua bebida favorita, coloca em sua caneca e se senta gostosamente no sofá, na cama ou no chão e saboreia o momento...ahhhh que delícia.
Então, um dia você está lavando a louça, a caneca escorrega de sua mão e cai no chão, se partindo em mil pedacinhos assim como o seu coração...Você fica triste e lamenta a perda de sua caneca, então vem alguém e diz: - É só uma caneca, compra outra igual ué.
Não tem como essa pessoa saber qual era a importância dela para você, todos os sentimentos que envolvia e o bem estar que ela te trazia, não por ser uma coisa material, mas por tudo o que ela te representava.
E isso não acontece apenas com canecas, acontece quando perdemos coisas, oportunidades, sentimos tristezas, quando sofremos por algo. As pessoas não fazem isso por mal, querem nos animar, nos deixar para cima, nos ajudar, mas esquecem que enquanto você estiver catando os caquinhos espalhados, é muito difícil pensar em novas possibilidades.
Em 2018 eu e o Jean sofremos um acidente de carro, uma pessoa alcoolizada perdeu o controle do carro e veio de frente com nosso carro. Perca total. Nós tínhamos acabado de quitar o carro, fazia apenas um mês. Nesse acidente sofremos leves arranhões e fiquei com uma marca bonita de cinto de segurança rs. Uma das coisas que mais ouvimos assim que aconteceu foi: Carro é bem material, depois compra outro...
E eu concordo, sou daquelas que prega mesmo o desapego, mas a dor não era pelo carro em si, era por tudo o que ele significava, pelo susto que tomamos, era porque compramos ele de uma pessoa muito querida, era porque poderíamos ter morrido, era porque o mundo é cheio de gente irresponsável que bebe e dirige, era porque só sobrou do carro o pequenino simbolo que ficava na frente dele, era porque teríamos alguns contratempos até encontrar outro carro.
Então, venho hoje trazer a reflexão: Não diminua a dor do outro!
Nós nunca saberemos qual é o tamanho do sofrimento de alguém, seja porque a pessoa perdeu um brinco, seja porque perdeu alguém que ama. Seja porque bens materiais se compram outros, seja porque amores vem e vão, seja porque existem outras oportunidades de empregos por ai, dor é dor, é particular, não tem como medir e não deve ser diminuída.
Acolha a dor de suas pessoas, depois que passar um tempinho, ai conseguimos fazer piadas sobre ela, conseguimos enxergar os lados bons, conseguimos admitir que talvez foi melhor assim. Mas no momento do impacto, não seja essa pessoa que mede as pessoas pela sua régua.
E você amiga/o em dor, saiba que ela tem que durar por um tempo, mas se persistir muito, procure ajuda, fale com pessoas da sua confiança, diga o que sente. Como eu sempre falo aqui, ninguém precisa passar por nenhuma dor sozinho. Você não está sozinha/o. Não ache que sua dor não tem propósito, que não é valida. Busque pessoas que te acolham e te ajude a sair dela.


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