Quando o corpo pede uma pausa.

by - outubro 04, 2019

Você ouve o pedido do seu corpo?


Fazem duas semanas que estou com a saúde atrapalhada, dormindo sentada a uma semana e meia, não da para deitar sem ser invadida pela falta de ar e pela tosse sem fim que parece chacoalhar a alma dentro do corpo, e tudo o que eu digo ao meu corpo é: Não tenho tempo para ficar doente, tenho tarefas e prazos, preciso fazer, preciso atender, preciso aprender, preciso cuidar...do outro, dos outros.

O mais interessante é que por conta dessa luta entre o ar que falta e tudo o que preciso fazer para manter todas as coisas no lugar, não consegui postar semana passada, e o mais louco é que pouco se questionou sobre isso, porque estamos todos exaustos e correndo...

Muito falamos e compartilhamos sobre olhar o outro, ouvir o outro, estar com o outro, mas na prática é cada vez mais difícil perceber a necessidade do outro em ser visto, ouvido, tocado...e falo isso principalmente por mim, que na ânsia em ser a pessoa que tanto desejo ser, de realmente praticar todas as teorias que existem dentro de mim, acabo sendo incapaz de ouvir o meu próprio corpo pedindo uma pausa...

E quando a gente não ouve o pedido silencioso do corpo, ele aumenta o tom, o som, e quando não nos freia de um jeito, ele nos freia de outro...pouco ar.

Como não ser a pessoa dentro da rodinha do hamster? Como conseguir frear ao pedido mais sutil do corpo? E agora, como respirar tranquilamente? 

Quando foi que nos tornamos esses que nunca podem errar, ir mais devagar, dar pausas? Quando foi que ficamos tão atrasados e sempre nessa urgência? Quando foi que nos perdemos dentro desse mundo tão ilusório?

Peço emprestado as palavras de Eliane Brum para tentar despertar...

"...Estamos exaustos e correndo. Exaustos e correndo. Exaustos e correndo. 
E a má notícia é que continuaremos exaustos e correndo, porque exaustos-e-correndo virou a condição humana dessa época. E já percebemos que essa condição humana um corpo humano não aguenta.
O corpo então virou um atrapalho, um apêndice incômodo, um não-dá-conta que adoece, fica ansioso, deprime, entra em pânico. E assim dopamos esse corpo falho que se contorce ao ser submetido a uma velocidade não humana. 
Viramos exaustos-e-correndo-e-dopados. Porque só dopados para continuar exaustos-e-correndo..." 

Vamos ouvir nosso corpo, vamos dar pequenas pausas e paradas para respirar, mesmo com todo esse rebuliço em nossa volta dizendo que estamos atrasados, cada um tem seu tempo, cada tempo de uma coisa.

Vamos nos olhar com amor e nos cuidar melhor antes mesmo que o corpo possa pedir por uma pausa. A vida é única e rara, ninguém escala uma montanha toda de uma vez, com sabedoria poderemos realizar grandes coisas, por isso é preciso pausar e respirar de vez em quando.
"Relaxe!
A vida não é uma competição! Às vezes é necessário pausas. Algumas vezes para ganhar fôlego, outras vezes para suspirar."
(Edna Frigato)

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