Quais sementes eles plantaram em você?
Outro dia estávamos pensando em como é a vida do professor na sala de aula.
E por mais que possamos ver a evolução de cada um durante o período de um ano, o mais certo é que alunos são como Tâmaras naquele ditado:
"Quem planta Tamareiras não colhe Tâmaras"
(Isso porque antigamente, as tamareiras levavam de 80 a 100 anos para produzir os primeiros frutos)
Porque afinal, os frutos do plantio da Professora só serão colhidos com o passar dos anos, em pequenas porções. Exemplo:
Eu me lembro da minha primeira professora do Pré I, o nome dela era tia Roseli, eu ainda me lembro vagamente do rosto dela, mas o sentimento de como ela era carinhosa e fofa ainda existe forte dentro de mim, eu tinha em torno de 4 para 5 anos, foi nessa época que aprendi a ler e escrever.
Do Pré I fiz uma prova e fui direto para o 1 ano, entrei adiantada na escola, e lá estava a mudinha que germinou da semente que a tia Roseli tinha plantado. O ler e escrever que foram me apresentados com tanto carinho por ela, ainda estão aqui, vivos, intensos e dando mais frutos a cada dia, e a tia Roseli não deve ter ideia do que a semente dela virou.
Na quinta-série, estudei em MG, eu tive uma professora de Português que adubou a semente da tia Roseli, a cada mês precisávamos fazer um trabalho de resumo de um livro que escolhíamos na biblioteca, eu amava ir até lá, escolher um livro e escrever sobre ele. Ela também não tem ideia que estava adubando uma terra fértil nesse quesito e que 20 anos depois ia ser lembrada em um blog.
Então, no ensino médio tive uma professora de Português incrível, Márcia. Ela me mostrou o mundo da literatura, nos ensinava matéria de interpretação de texto com as músicas atuais da época. Estudamos Dom Casmurro e o Crime do Padre Amaro fazendo um tribunal, onde fomos divididos em defesa e acusação e discutimos o livro em grande estilo.
As escolas literárias eram aprendidas em paródias criadas por nós, ainda lembro da música sobre o Arcadismo 💓
Ela não tem ideia que a arvorezinha que já existia ali, estava sendo regada, podada para dar mais frutos e novamente adubada.
Também teve um professor de história que abriu minha mente para realidades e possibilidades longe da minha. Depois deles vieram tantos outros, cada um com sua contribuição.
Professores ajudam na construção dos seres, mas nunca da obra toda, participam do alicerce de uns, colocam uns tijolos em outros, fazem a lage de outros, ajudam no piso de outros...é um trabalho de fé, (não no sentido religioso, mas no sentido de acreditar), crer que aquele ser vai se tornar o melhor que ele pode ser.
E de tanto plantar, adubar, ajudar na poda, os professores não tem ideia no que se transformarão essas sementes, existe um forte desejo que se tornem arvores frondosas, mas raramente verão todas elas em seus processos de florescer.
Então hoje, quase 30 anos depois, faço essas minhas paixões que são ler e escrever diariamente, e a tia Roseli, que contribuiu ativamente, está de certa forma entre meus textos, minhas linhas, está eternizada dentro do meu coração.
Quais professores te adubaram?
“Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma, continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não é esquecido jamais.”
(Rubem Alves)



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